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Workshop CINE – Cubo Itaú aborda energia nuclear e matérias-primas para a transição energética
11 de Julho de 2025
11 de Julho de 2025

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Mateus Giesbrecht
UNICAMP

No segundo workshop de 2025, realizado no dia 6 de junho, o CINE e o Cubo Itaú levaram até o prédio do Cubo, na cidade de São Paulo, quatro especialistas do meio acadêmico, da indústria e do governo para compartilharem seu amplo conhecimento sobre alguns desafios e oportunidades da transição energética.

A primeira apresentação foi realizada pelo professor Paulo Artaxo (USP), que é um dos cientistas brasileiros mais influentes no mundo e uma autoridade em temas de meio ambiente, mudanças climáticas e poluição do ar. O palestrante mostrou um sólido conjunto de evidências de que o ser humano está mudando a composição da atmosfera e de que isso está mudando o clima no planeta. Os dados mostraram que os maiores esforços e investimentos devem ser feitos no menor prazo possível para começar a diminuir as emissões de gases do efeito estufa e, dessa forma, limitar o aquecimento e mitigar suas desastrosas consequências. Nesse cenário, o Brasil pode se destacar com a sua abundância de sol e vento, suas hidrelétricas, seu alto investimento em bioenergia e a alta concentração, no seu território, de minerais estratégicos para a geração e armazenamento de energia renovável.

A segunda apresentação foi proferida por Marcelo Gomes da Silva, que atua como coordenador na Eletronuclear, empresa brasileira de economia mista que constrói e opera usinas termonucleares. A palestra do engenheiro mostrou que, embora o Brasil tenha a matriz elétrica mais limpa do mundo, a segurança energética não está garantida frente ao aumento no consumo de energia, às variações na geração de energia provocadas pelas mudanças climáticas e à enorme quantidade de eletricidade requerida pelos data centers. Nesse contexto, a energia nuclear é uma opção muito relevante, pois permite atender grandes demandas com baixíssima emissão de carbono. Além disso, novas tecnologias que estão emergindo nesse setor permitem produzir reatores menores que se adaptam, por exemplo, a aplicações na indústria.

Minerais estratégicos para a transição energética foi o tema da apresentação de Henrique Vasquez, gerente da FINEP. O palestrante afirmou que, para atingir as metas climáticas, a demanda de alguns minerais deve aumentar em quatro vezes até 2040, em uma transição de uma economia intensiva em hidrocarbonetos a uma economia intensiva em minerais. Esses minerais (como o cobre, lítio, níquel, grafite e zinco, entre outros) são usados na produção de carros elétricos, turbinas eólicas, células solares, usinas nucleares e outras tecnologias importantes na transição energética. O palestrante também forneceu um panorama da disponibilidade desses minerais no Brasil e em outros países.

Encerrando o evento, o professor Mateus Giesbrecht (Unicamp), que coordena o programa de Geração de Energia no CINE, falou sobre os ímãs baseados em elementos do grupo das terras raras, como o neodímio e o samário. Esses ímãs, que são muito fortes em termos de magnetismo, são componentes fundamentais de motores elétricos e geradores eólicos, onde fornecem o campo magnético necessário para seu funcionamento. Devido à transição energética, a demanda desses ímãs deve aumentar em grandes proporções dentro dos próximos 25 anos. Na apresentação, o pesquisador do CINE mostrou que, embora o Brasil seja o terceiro país em reservas de óxidos de terras raras, ele não participa do processamento e aplicação desses elementos, sendo a China o país líder na sua mineração e em todas as etapas de produção dos ímãs.

CINE – Itaú

Desde o início de 2024, o CINE e o Itaú mantêm uma parceria para a disseminação de conhecimento sobre transição energética. Neste ano, as atividades ocorrem dentro da Trilha de Transição Energética – um ciclo de quatro workshops sobre temas estratégicos para acelerar a descarbonização da matriz energética brasileira. Os eventos são gratuitos e abertos a todo público, mediante inscrição prévia.

“As atividades que realizamos dentro desta parceria têm apresentado resultados muito positivos, com impacto real na difusão de conhecimento científico sobre a transição energética fora do meio acadêmico e mostrando todas as possibilidades de mercado que os novos combustíveis estão apresentando”, afirma Ana Flavia Nogueira, diretora do CINE.

Mais informações sobre os próximos eventos.

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