{"id":8618,"date":"2023-05-30T08:46:27","date_gmt":"2023-05-30T11:46:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cine.org.br\/?p=8618"},"modified":"2024-01-18T14:17:20","modified_gmt":"2024-01-18T17:17:20","slug":"debate-cine-aborda-as-tecnologias-necessarias-para-descarbonizar-os-transportes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cine.org.br\/pb\/debate-cine-aborda-as-tecnologias-necessarias-para-descarbonizar-os-transportes-no-brasil\/","title":{"rendered":"Debate CINE aborda as tecnologias necess\u00e1rias para descarbonizar os transportes no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Baterias, biocombust\u00edveis, hidrog\u00eanio verde, c\u00e9lulas solares. Todas essas tecnologias, e n\u00e3o apenas elas, s\u00e3o necess\u00e1rias para reduzir as emiss\u00f5es de carbono no setor de transporte no Brasil e, assim, contribuir para a mitiga\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Mais precisamente, \u00e9 preciso olhar para a realidade local e encontrar as tecnologias mais apropriadas para cada aplica\u00e7\u00e3o: carros de passeio, \u00f4nibus de longa dist\u00e2ncia, ve\u00edculos rurais, navios etc.<\/p>\n<p>Essa foi uma das principais conclus\u00f5es do debate &#8220;Mobilidade El\u00e9trica e Desafios da Transi\u00e7\u00e3o Energ\u00e9tica&#8221;, organizado CINE no final de abril. Realizado na sede administrativa do CINE, na Unicamp, o evento teve a participa\u00e7\u00e3o de tr\u00eas pesquisadores, especialistas em tecnologias para a descarboniza\u00e7\u00e3o: os professores Ricardo R\u00fcther (UFSC) e Hudson Zanin (Unicamp) como debatedores, e o professor Gustavo Doubek (Unicamp) como moderador.<\/p>\n<p>O foco do debate foi discutir como o Brasil, que \u00e9 um dos maiores produtores de ve\u00edculos do mundo, pode se posicionar neste cen\u00e1rio emergente de modo a garantir seguran\u00e7a energ\u00e9tica para a sua popula\u00e7\u00e3o e gerar emprego e renda.<\/p>\n<p><strong>Pegada de carbono e efici\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Os debatedores concordaram quanto \u00e0 necessidade de se considerar a pegada de carbono total de cada tecnologia ao avaliar o seu impacto na redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es. Nesse sentido, Zanin lembrou que os ve\u00edculos que funcionam a biocombust\u00edvel, como o etanol, emitem gases do efeito estufa, mas compensam essas emiss\u00f5es com a absor\u00e7\u00e3o de di\u00f3xido de carbono (CO2) que a cana-de-a\u00e7\u00facar (mat\u00e9ria-prima do etanol brasileiro) realiza ao longo do seu crescimento por meio da fotoss\u00edntese.<\/p>\n<p>Por outro lado, lembrou Zanin, \u00e9 necess\u00e1rio ter ci\u00eancia de que o ve\u00edculo el\u00e9trico, mesmo n\u00e3o emitindo CO2 no escapamento, pode ter uma grande pegada de carbono embutida durante o processo de fabrica\u00e7\u00e3o da sua bateria. Nesse sentido, a produ\u00e7\u00e3o local das baterias seria ben\u00e9fica n\u00e3o apenas do ponto de vista econ\u00f4mico, mas tamb\u00e9m do ambiental. No caso do Brasil, al\u00e9m de evitar as emiss\u00f5es geradas no transporte dos produtos, a produ\u00e7\u00e3o nacional de baterias usaria a energia da nossa matriz energ\u00e9tica, que \u00e9 uma das mais limpas do mundo gra\u00e7as \u00e0 grande participa\u00e7\u00e3o das hidrel\u00e9tricas e \u00e0 crescente participa\u00e7\u00e3o das energias fotovoltaica e e\u00f3lica. \u201cA bateria feita na China, por exemplo, onde a matriz \u00e9 baseada na queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, j\u00e1 vem com uma pegada de carbono muito maior do que seria uma bateria brasileira\u201d, disse Zanin, que \u00e9 pesquisador do CINE na \u00e1rea de armazenamento avan\u00e7ado de energia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da pegada de carbono, outro importante par\u00e2metro deve ser considerado na compara\u00e7\u00e3o das tecnologias: a efici\u00eancia na convers\u00e3o de energia. \u201c\u00c9 cerca de 300 vezes mais eficiente converter luz do Sol em eletricidade e us\u00e1-la em motores el\u00e9tricos do que usar esse mesmo Sol para fazer crescer cana e depois produzir o etanol para o carro andar\u201d, afirmou o professor R\u00fcther, que, al\u00e9m de docente e pesquisador na UFSC \u00e9 vice-presidente da International Solar Energy Society (ISES) e diretor t\u00e9cnico do Instituto para o Desenvolvimento das Energias Alternativas na Am\u00e9rica Latina (IDEAL).<\/p>\n<p>Entretanto, um dos principais limitadores da expans\u00e3o dos ve\u00edculos el\u00e9tricos \u00e9 o seu pre\u00e7o. Hoje, os mais baratos custam cerca de R$ 150 mil. \u201cA pol\u00edtica de estado precisa se organizar para promover a ado\u00e7\u00e3o em massa do carro el\u00e9trico\u201d, opinou R\u00fcther. \u201cQuando esse momento chegar, o Brasil precisa estar preparado para produzir esses ve\u00edculos e as suas baterias\u201d, completou.<\/p>\n<p>De acordo com R\u00fcther e Zanin, o reuso e a reciclagem das baterias podem ser muito importantes para popularizar os carros el\u00e9tricos. O reuso, tamb\u00e9m chamado de \u201csegunda vida\u201d, se refere a utilizar a bateria de um carro em uma aplica\u00e7\u00e3o estacion\u00e1ria menos exigente, depois do final da sua vida \u00fatil no ve\u00edculo. Dessa forma, uma bateria que n\u00e3o deve mais ser usada num carro el\u00e9trico poderia armazenar energia solar fotovoltaica em uma resid\u00eancia, por exemplo. J\u00e1 a reciclagem se refere \u00e0 extra\u00e7\u00e3o dos elementos que comp\u00f5em as baterias quando elas n\u00e3o podem mais ser usadas em nenhum contexto. \u201cPrecisamos organizar quem ser\u00e1 respons\u00e1vel por levar a bateria ao reuso ou reciclagem. Tudo dever\u00e1 ser regulamentado\u201d, disse Zanin.<\/p>\n<p><strong>Aplica\u00e7\u00f5es diferentes, tecnologias diferentes<\/strong><\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dos debatedores, carros que s\u00e3o carregados na tomada e armazenam energia em baterias seriam perfeitos para percorrer dist\u00e2ncias curtas, como os deslocamentos cotidianos dentro da cidade. Entretanto, para ve\u00edculos de grande porte que percorrem longas dist\u00e2ncias, como caminh\u00f5es e \u00f4nibus, as baterias apresentam limita\u00e7\u00f5es. Nesses casos, os biocombust\u00edveis e o hidrog\u00eanio verde (aquele produzido com energia limpa) seriam boas alternativas ao uso de combust\u00edveis f\u00f3sseis como o diesel e a gasolina. Al\u00e9m disso, a produ\u00e7\u00e3o descentralizada de biocombust\u00edveis a partir de res\u00edduos agroindustriais deveria ser considerada em \u00e1reas rurais. \u201cCada pequeno produtor poderia produzir o seu biometano para uso pr\u00f3prio\u201d, disse Zanin.<\/p>\n<p>Em todos os casos, para que o pa\u00eds esteja preparado para o momento em que os combust\u00edveis f\u00f3sseis sa\u00edrem de cena, o meio acad\u00eamico, a ind\u00fastria e o governo devem trabalhar juntos para criar um leque de op\u00e7\u00f5es: baterias de v\u00e1rios tipos (de l\u00edtio, s\u00f3dio, chumbo, fluxo), processos sustent\u00e1veis para produzir biocombust\u00edveis, novas c\u00e9lulas solares, motores e c\u00e9lulas a combust\u00edvel mais eficientes. \u201cN\u00e3o vai ter etanol nem bateria para todo mundo; n\u00e3o vai ter l\u00edtio ou chumbo para todos; temos que diversificar nas mat\u00e9rias-primas e nas tecnologias\u201d, disse Zanin.<\/p>\n<p>Este debate foi publicado no canal do CINE no YouTube, onde pode ser assistido: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LWj1fmChTnA&amp;t=375s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=LWj1fmChTnA&amp;t=375s<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baterias, biocombust\u00edveis, hidrog\u00eanio verde, c\u00e9lulas solares. 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